Resultados diferente para uma mesma situação – Salvador Alvarenga

Alvarenga Salvador, a pessoa que mais tempo sobreviveu à deriva na história recente.

Ele olhava atento para seus pés, tão inchados que nem pareciam mais humanos. Seus músculos haviam sido consumidos lentamente e ele não havia mais força para se levantar.
O gosto da água salgada era tão presente, que ele nem sentia mais. A sede, sob o escaldante sol de 38 graus, era tão forte que ele não sabia distinguir o que era ilusão, alucinação do que era real.
O silêncio do mar era ensurdecedor. Só uma coisa o mantinha vivo, e não era comida ou água.
Um experiente pescador no auge dos seus 36 anos, ele saiu para pescar com um amigo, Ezequiel Córdoba, na costa do México em 18 de Novembro de 2012.
Dois dias de pesca, com o barco carregado, estavam felizes pois a venda gerada pelos peixes, daria um bom dinheiro para suas famílias por 2 semanas.
Mas não contavam com a tempestade que chegou sem anunciar.
Em pouco tempo, o clima mudou bruscamente e eles se viram no meio de uma grande tormenta.
Como saíram para passar pouco tempo, levaram o básico: um pequeno aparelho de GPS, um rádio e 17 galões de gasolina.
Por horas e horas eles batalharam contra as ondas, incansavelmente, para que nenhuma onda impactasse a embarcação de lado, pois como qualquer capitão sabe, isso seria o jeito mais fácil de virar e afundar.
Depois de muitas horas, aos poucos a visibilidade começou a melhorar e eles viram o que parecia ser o topo de uma montanha.
Alvarenga correu para passar as coordenadas e pedir ajuda via rádio. Foi quando notou que o GPS havia se perdido no balançar violento do barco.
Decidiu dar força total no motor, para se deslocar em direção à montanha.
Foi quando o motor começou a tossir, engasgar… até morrer. Nunca mais aquele motor seria ligado novamente.
Alvarenga correu para o rádio e conversou com seu chefe, que estava em terra:
“Willy! Willy! Precisamos de ajuda urgente, o motor pifou!”
“Jogue a ancora”, Willy ordenou.
“Não temos uma! Não pensei que fosse precisar!”, respondeu Alvarenga, desesperado.
“Me passe suas coordenadas que vou ir buscar você”, Willy respondeu.
“Não temos GPS, ele caiu do barco durante a tempestade” gritava Alvarenga.
“Meu Deus. Vamos dar um jeito. Estou indo procurar vocês”, respondeu o chefe.
“Por favor! Estamos fodi**s aqui!”, implora Alvarenga. Estas foram suas últimas palavras para a costa.
A tempestade continuava e Alvarenga notou que os 500kg de peixe que haviam pescado estavam deixando a embarcação pesada e mais difícil de controlar.
Então, Alvarenga e Ezequiel começaram a jogar os peixes fora, um a um, jogando-os para fora do barco.
Cair do barco agora não era mais uma opção. O sangue dos peixes atraíram dezenas de tubarões que agora rodeavam o barco dia e noite.
A luta contra a tempestade durou 5 dias. Dia e noite eles se revezavam para ficar retirando a água que as ondas jogavam dentro do barco, que não oferecia nenhuma proteção nem abrigo, pois era todo aberto e tinha em torno de 7 metros de comprimento.
Quando o sol se punha, o frio tomava conta dos homens. Tremiam tanto que mal conseguiam fechar seus punhos.
Viraram sua caixa de isopor para tentar se abrigar, como se fosse um iglu, uma tenda. Mas com a água entrando sem parar no barco, decidiram tirar blocos de 15 minutos para cada um ficar no abrigo improvisado enquanto o outro ficaria com um balde retirando a água do barco.
Com o vento soprando forte, eles não sabiam se estavam sendo levados norte para a região de Acapulco ou para o sul em direção ao Panamá. Sem poder ver as estrelas, eles não tinham como saber para onde o destino os levaria.
A tempestade foi aos poucos cessando.
Depois um tempo, já podiam enxergar melhor, e agora estava claro: estavam completamente perdidos, quilômetros e quilômetros oceano à dentro.
“Eu Estava Decidido A Comer Minhas Unhas”
Famintos, e sem nenhum material de pesca, eles precisaram inovar.
Alvarenga ficava com suas mãos dentro da água, monitorando quando um tubarão chegava perto. Quando um peixe passava perto de suas mãos, ele as fechava o mais rapidamente possível e fincava suas unhas nas escamas do peixe.
Muitos escapavam, mas com a prática ele conseguiu pescar alguns para matar sua fome que parecia não ter fim.
“Eu estava tão faminto que comia minha unhas, pedacinho por pedacinho”, Alvarenga contaria mais tarde.
A sede era ainda mais cruel. Alvarenga sabia dos perigos de beber água do mar, então fazia a única coisa que podia naquelas condições: beber sua urina. Não era tão ruim, mas mal sabia ele que o ciclo de beber e urinar, para beber novamente estava na verdade agravando sua condição de desidratação.
Depois de cerca de 14 dias à deriva no alto mar, enquanto quase desmaiados e exaustos no deck do barco, começam a ouvir um barulho que era bom demais para ser verdade: pingos de chuva começam a cair dos céus. Os homens começam a gritar e correr pelo deck, abrindo uma lona e executando um plano de coleta de água que vinham planejando durante vários dias já.
Depois de dias bebendo urina e sangue de tartarugas, agora teriam água limpa por mais alguns dias.
Com o passar do tempo, os homens ficaram muito próximo. Conversavam por horas e compartilhavam segredos.
Contavam suas experiências e infância e como haviam sido filhos que aprontavam muito. Queriam muito poder abraçar e pedir perdão para suas mães, poder recompensá-las de alguma foram. Mas agora era tarde demais.
Ele Perdeu A Vontade de Viver
Depois de 2 meses à deriva no meio do nada, Alvarenga se acostumou a comer tartarugas e pássaros. Mas Ezequiel entrou um declínio mental e físico.
Estavam os dois no mesmo barco, mas andavam em direções diferente.
Ezequiel ficou doente depois de comer carne de pássaros crua e tomou uma decisão drástica: começou a recusar qualquer tipo de comida.
Ele segurava uma garrafa plástica em suas mãos, mas estava sem energia para levá-la até sua boca. Alvarenga tentava oferecer pedaços de comida, mas ele se recusava. A depressão estava tomando controle de seu corpo e mente.
“Estou morrendo. Estou morrendo, não aguento mais” disse Ezequiel uma manhã.
“Não pense nisso. Vamos dormir um pouco, vai dar tudo certo” tentava acalmar Alvarenga, oferecendo a única coisa que tinha: sua atenção.
O corpo de Ezequiel começa a balançar violentamente. Estava convulsionando, seus braços e pernas rígidos e com uma voz rouca, gemia de dor.
Alvarenga entrou em pânico, o abraçava, chorava e gritava enquanto segurava seu rosto: “Não me abandone! Você não pode desistir! Precisa lutar por sua vida, pense na sua família! Não desista!”.
Ezequiel não respondeu. Momentos depois ele morreu, com seus olhos abertos.
“Eu cuidava para que o corpo dele ficasse dentro do barco. Não sabia o que fazer, mas não queria que ele fosse embora. Eu chorei por horas, incontrolavelmente”, relatou Alvarenga.
Na manhã seguinte, ele perguntou “Como foi sua noite? Dormiu bem? Já tomou café da manhã?” para o corpo inerte de Ezequiel, como se ele ainda estivesse vivo. A melhor forma de lidar com a dor de perder seu companheiro era simplesmente negar que ele havia partido.
Seis dias se passaram.
Alvarenga finalmente juntou forças para retirar a roupa de Ezequiel, que poderia ser útil em algum momento, lavou seus pés e lentamente o deslizou para dentro da água. Ao fazer isso, desmaiou de cansaço.
Sua vontade de voltar a ver sua mãe, sua família e de continuar vivendo até seu último suspiro o mantinham de olhos abertos e procurando por ajuda, por uma maneira de sair daquela situação.
Quem Era Aquela Mulher?
Controlando o ciclos lunares, que aprenderam com seu avô, Alvarenga sabia exatamente a quanto tempo estava perdido no oceano: 13 meses. Ele temia que não duraria muito mais.
Até que uma manhã, ele vê algo diferente no horizonte. Será que estava alucinando? Ele via uma ilha, não muito maior que um campo de futebol, cercada de águas azul turquesa.

Seu coração dispara. Ele se enche de uma energia que nunca havia sentido na vida. Era sua chance.
Ele decide remar com os braços e se deslocar o mais perto da ilha possível. Quando estava a poucos metros da linha de arrebentação das ondas, ele pula na água e começar a nadar “como uma tartaruga”. Até que uma grande onda o carrega e o arremessa contra a areia da praia.
Com o rosto deitado sobre a areia, ele a segura com uma mão e vê seus grãos deslizarem por seus dedos. Era uma das coisas mais lindas que já havia visto.
Ele tenta se levantar, mas não conseguia. Depois de meses à deriva, ele não tinha mais músculos. Suas pernas e braços estavam assustadoramente finos, somente pele e ossos.
Ele se arrasta, lentamente, até ser encontrado por Emi e Russel Laikidrik, moradores da ilha que fazia parte do atol de Ebon, uma das 1.225 ilhas que compõem as Ilhas Marshall, um dos lugares mais remotos do planeta.

Eles acharam que ele havia caído de um navio e tinha nadado até ali.

Chamaram por ajuda e em pouco dias, o mundo todo conheceria a incrível história de Alvarenga Salvador, a pessoa que mais tempo sobreviveu à deriva na história recente.

“Mãe, estou vivo. Estou voltando para casa” disse Alvarenga emocionado ao falar ao rádio com sua família.

Ele era a prova viva de que o impossível se torna possível quando não se desiste.


não sei qual tempestade você já viveu ou está vivendo no momento.

Mas eu tenho certeza que como empreendedor, você já passou – ou certamente vai passar – por situações onde você queria fazer uma coisa, mas aí veio uma tempestade e mudou seus planos.

Jogou seus equipamentos no mar. Destruiu sua ideia, seu planejamento.

Alvarenga não esperava passar por tudo isso, mas ele não desistiu.

Dois homens, no mesmo barco, vivendo a mesma experiência, mas com resultados diferentes.

E eu gosto de pensar que a determinação de não se entregar, de ficar vivo a todo custo ajudou Alvarenga a viver para contar sua história.

Use esta incrível história para criar a sua determinação no dia a dia de seu empreendedorismo

Contada por Pedro Superti

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